quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

“Agora Inês é morta!”

Ola ^^
Hoje eu dormi a casa de uma amiga minha, e desde  que eu cheguei essa minha amiga esta como uma criança que acaba de aprender uma palavra nova. Desde que ela ouviu a expressão: "Agora Inês é morta!", ela não para de repiti-la.
Essa expressão que se diz quando queremos expressar que já é tarde demais, é muito falada porem poucos sabem suas origens, origens essas que se encontram no além mar, em Portugal.

***
Inês, camponesa, estava apaixonada por D. Pedro I, prícipe herdeiro do trono, e ele por ela. O príncipe sabia que o pai nunca aprovaria esse amor, então eles o mantinham em sigilo e ninguém sabia explicar como Inês arranjava tantos filhos, mesmo sem ter se casado.
Um dia, o rei Afonso IV chamou o filho ao seu quarto para uma conversa. Disse-lhe que estava na hora dele se casar, pois em breve assumiria o trono. Pedro disse que já tinha um amor, e que só se casaria se fosse com Inês de Castro, a plebéia. Ao ouvir esse nome, o rei disse que seria melhor um reino sem rei, do que uma rainha camponesa, e ambos saíram do quarto "batendo pé".
O rei, percebendo que o amor de seu filho era verdadeiro e difícil de se romper, arquitetou um plano em segredo: forjou um crime para Inês e ela foi levada a julgamento com seus filhos agarrados na barra de sua saia, justamente no dia em que D. Pedro viajava. Inês suplicou, usou do argumento de que até aves de rapina têm piedade com suas presas quando são envolvidas as crias, mas não teve súplica que adiantasse, Inês foi condenada à morte. Ali mesmo, dois carrascos enfiaram uma espada em seu pescoço, na frente de seus filhos. Quando o príncipe retornou de sua viagem, encontrou sua amada morta, e esperou paciente o dia em que se tornaria rei…
Dois anos depois, Afonso IV morreu, vítima de uma doença. Pedro assumiu o trono e sua primeira ordem foi que mandassem retirar do túmulo a ossada de Inês, limpassem-na, remontassem-na, e a colocassem no trono, alegando que os dois haviam se casado em segredo antes da morte dela. Se é verdade, não se sabe, mas o fato é que Inês foi colocada no trono e considerada a primeira rainha que o foi depois de morta. Todo súdito de Castela foi obrigado a beijar a mão do esqueleto. Após isso, a falecida foi enterrada novamente. Comprovadas ainda são a bela estátua sepulcral que se mandou erguer em homenagem à rainha, bem como as grandiosas exéquias promovidas pela ocasião do transporte do corpo, fora preparado o túmulo real daquela que seria rainha depois de morta. Lá, uma estátua da moça foi coroada com todos os rituais de celebração. Diz-se ainda que o soberano tivera o cuidado, ao dispor o seu túmulo e o de sua amada no referido mosteiro, de postar as lápides não lado a lado, mas pé com pé. Para quê? Quando tivessem, ambos, de se acordar no juízo final, poderiam um olhar nos olhos do outro. O oitavo rei de Portugal, motivado pelos fortes sentimentos que o uniam a sua amada, agiria, de acordo com as palavras do historiador Fernão LOPES, motivado por um "grande desvairo".
 Agora poderia finalmente descansar em paz.
 A segunda grande ordem que Pedro deu após se tornar rei foi que perseguissem os carrascos de sua amada até que eles fossem mortos. Mas não morreriam de qualquer modo. Um deles teria seu coração arrancado pelo peito, e o outro, pelas costas. E assim foi feito. Um deles o rei quis ter a "honra" de matar pessoalmente. Olhou no fundo dos seus olhos e ergueu a espada na mesma hora em que o condenado começava a suplicar: "não me mate, eu só estava cumprindo ordens! Me perdoe!" D. Pedro apenas disse: "Agora é tarde, Inês é morta".


Nenhum comentário: